Indústria Da Morte

 

Em qualquer tipo de processo industrial, organizacional, de execução ou produção, para que os resultados sejam satisfatórios, preciso é que, todas as peças pertencentes ao processo funcional, trabalhem em perfeita harmonia. Pelos menos esse é o esperado. Qualquer distonia entre as diversas entidades encarregadas da execução de um trabalho ou planejamento qualquer, poderá comprometer o resultado esperado. Quando levamos essas afirmações para o lado do planejamento e execução de políticas para o trânsito, mobilidade e prevenção de acidentes, os resultados gerados pelas dissonâncias dos órgãos encarregados dessa tarefa, geralmente são expressos em número de mortes.

Em se tratando desse tipo de planejamento, da mesma forma que aquele que compra drogas ilícitas está, de algum modo, patrocinando um crime em algum lugar, aqueles que não cumprem seus papéis na cadeia organizacional, estão de algum modo, condenando à morte alguma vida em um lugar qualquer.

Agora, quando várias peças do processo, não executam a tarefa que a ela fora designada, temos uma verdadeira tragédia, muitas vezes anunciada. É certo que, usando somente paliativos, como já é o de costume, cria-se um vício gerencial, onde as peças que trabalhavam de forma defeituosa, acabam por contaminar as outras peças que ainda tentavam executar de forma correta suas tarefas. Essa disseminação de inversão de valores forma uma das bases do famoso “jeitinho brasileiro”.

A falta de resultados satisfatórios para a fiscalização da Lei Seca, por exemplo, esbarra no modo errôneo-vicioso de algumas das peças que integram o processo. Numa empresa privada ou algum tipo de organização, identificado o problema, pressa se tem em substituir ou reparar qualquer peça que não esteja desempenhando suas tarefas de forma satisfatória, mas no caso em questão, mesmo com tantas mortes prematuras, ainda não foi o bastante para fazer soar o alarme de mal funcionamento. Talvez os que, por mal funcionamento da peças, partiram dessa para melhor, estejam dentro do limite de erro, ou quem sabe seja um restolho, um subproduto de todo o processo e por isso não teria grande valor de mercado. Enquanto isso as peças continuam a falhar e os técnicos dormem em berço esplêndido.

Júnior Régis do Carmo é Agente de Trânsito e Tecnólogo em Transportes

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