Trânsito: Reflexo da Sociedade

 

O trânsito é o indicador mais perfeito de como anda a sociedade brasileira. Reflete a violência, o desprezo pelas leis, a arrogância néscia, o desrespeito para com o próximo, o egoísmo e o “jeitinho brasileiro”. Nada poderia demonstrar com mais exatidão quais são os defeitos principais desse povo e apontar o melhor caminho para corrigi-lo.

A cada ano, os números relativos a mortes em incidentes (muitos chamados erroneamente de “acidentes”) de trânsito tornam-se mais assustadores. Cerca de 500 mil mortos por ano é mais que qualquer guerra atualmente em disputa no Mundo. Poucos países vivenciam a experiência de produzirem centenas de milhares de novos assassinos anualmente.

O brasileiro, tão criativo, orgulhoso de seu “jeitinho” que arruma soluções para tudo não parece perceber que, contra regras não deve haver jeitinho. Não há lugar para estacionar, o brasileiro criativo estaciona em local proibido. O brasileiro criativo está com pressa, mas o sinal está fechado, e imagina que o vermelho significa “siga em frente”.

O egoísmo, personalizado no “jeitinho”, consiste em não reconhecer que há diversos outros semelhantes que compartilham das vias públicas e mereceriam igual respeito. Ao pensar que sua pressa ou sua comodidade são prioritárias, torna-se vítima igualmente de outros que assim pensam. Todos somos reféns dos motoristas embriagados, imprudentes, que nos “cortam” ou que estacionam em frente a nossas garagens.

Fora a violência dos próprios incidentes, quantos crimes não começaram com discussões no trânsito? Tantos quantos começaram em brigas de vizinhos, brigas em boates e situações banais, que refletem a índole agressiva de um povo.

Volta e meia, constato que, sempre na mesma esquina, um ônibus tenta fazer a conversão e um condutor, desrespeitando a marcação sob a sinaleira, avança e impede a curva do veículo maior. Se aquela sinalização está lá e todos os dias o coletivo tem dificuldades em dobrar, prova-se que a existência não só dela como de todas as medidas de prevenção têm um motivo de existir. É muita pretensão imaginar que somos mais “espertos” que os milhares de anos de civilização que construíram cada regra com uma finalidade.

Igualmente, costuma crer o brasileiro, uma lei é facultativa quando não há alguém próximo para fiscalizar seu cumprimento. Sempre que não houver um agente da lei por perto, haverá a tendência de que absurdos ocorram, pois o respeito ao próximo é substituído pelo temor à multa.

Como resolver isso? Matar todos os motoristas imprudentes antes que matem outros? Não dá. Gastar fortunas enfiando agentes de trânsito em cada esquina 24 horas por dia? Muito caro. Quintuplicar as multas? Talvez. Educar desde pequeno, como uma filosofia para todas as áreas da vida? Com certeza!

Felipe Simões Pires - netsaber

 



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