Construindo a Cidade que Queremos

 
cid34O que não são as cidades senão espaços de convivência humana, locais de troca de experiência, de expectativas e de realização de sonhos e de ideais? O que não são nossas cidades senão espaços que escolhemos para viver, partilhar e construir?

A cidade é a casa coletiva de homens e mulheres, de crianças, jovens, adultos e idosos. Por isso mesmo deve ser democrática, no sentido mais amplo da palavra. Deve permitir o acesso de todos os cidadãos aos bens e serviços públicos e a tudo o que ela dispõe para oferecer à sua gente.

Costumo dizer que o tamanho da democracia de uma cidade pode ser medida pelo tamanho da acessibilidade que ela possui. Cidades acessíveis são aquelas que proporcionam condições de moradia, transporte, educação, saúde, lazer, esporte, trabalho, cultura, mobilidade, segurança a quem quer que seja, independente de a pessoa ter algum comprometimento motor, visual, auditivo, sensorial ou múltiplas deficiências. Ou seja, a acessibilidade universal pressupõe a garantia de acesso de TODOS os cidadãos, sem qualquer distinção, a políticas públicas calcadas nos princípios e garantias fundamentais do ser humano.

Nas cidades andamos a pé, de carro, de ônibus, de bicicleta, de cadeira de rodas, usando muletas, empurrando carrinhos de bebê, andadores. À possibilidade de fazermos isso com autonomia e segurança é o que chamamos de mobilidade, um conceito e uma prática que deve estar integrada com as políticas de desenvolvimento urbano. Mas como alcançar esse objetivo?

Nos últimos anos, ganhou força um conceito de acessibilidade que vem sendo utilizado desde a década de 1960 em algumas partes do mundo: o chamado Desenho Universal. O conceito avançou quanto ao antigo modelo de acessibilidade. Ao contrário do que se pretendia anteriormente, esse conceito nos ajuda a pensar a cidade não com ambientes isolados construídos para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou com qualquer outra dificuldade de acesso, formando ilhas de excelência em acessibilidade, mas numa cidade que seja de todos e para todos. Segundo esse novo jeito de pensar as cidades, os espaços devem oferecer o que for necessário para o acesso seguro de qualquer pessoa, seja ela alta, baixa, magra, obesa, idosa, gestante, cega, surda, deficiente física etc.

E respondendo à pergunta que fiz anteriormente – como alcançar esse objetivo? -, digo que é necessário combater práticas nocivas à convivência humana se quisermos, de fato, transformar nossas cidades em espaços verdadeiramente acessíveis. Hoje, são inúmeros os flagrantes de desrespeito às legislações em vigor no que diz respeito à acessibilidade e à mobilidade urbana: calçadas estragadas ou ocupadas irregularmente; rampas fora dos padrões legais; falta de rebaixamento de meios-fios; mobiliário urbano mal posicionado na via pública; prédios públicos e áreas de lazer inacessíveis, para citar apenas alguns.

Nesse contexto, o agente, imbuído da sua função pública, exerce papel fundamental. Sua ação fiscalizadora e educativa, com certeza, contribuirá para mudar esse cenário. O agente da Agência Municipal de Trânsito e Transportes é um dos servidores públicos que se colocam mais próximos da comunidade. Estando nas ruas, tem condições de compreender a lógica da cidade e as necessidades de quem nela vive, seja motorista, pedestre, motociclista ou usuário do transporte coletivo.

O olhar atento do agente é capaz de prevenir acidentes, combater injustiças, punir irresponsabilidades e condutas inaceitáveis. Partindo do pressuposto da importância desse servidor para a melhoria da qualidade de vida da cidade de Goiânia, especialmente no que diz respeito à mobilidade e à acessibilidade, esperamos que o quadro efetivo de agentes da AMT esteja em permanente crescimento, a fim de resguardar direitos.

Fiquem com meu abraço e meu sorriso

Cidinha Siqueira é pedagoga, psicóloga e ex-vereadora em Goiânia

 

 



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