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Construindo a Cidade que Queremos

 
cid34O que não são as cidades senão espaços de convivência humana, locais de troca de experiência, de expectativas e de realização de sonhos e de ideais? O que não são nossas cidades senão espaços que escolhemos para viver, partilhar e construir?

A cidade é a casa coletiva de homens e mulheres, de crianças, jovens, adultos e idosos. Por isso mesmo deve ser democrática, no sentido mais amplo da palavra. Deve permitir o acesso de todos os cidadãos aos bens e serviços públicos e a tudo o que ela dispõe para oferecer à sua gente.

Costumo dizer que o tamanho da democracia de uma cidade pode ser medida pelo tamanho da acessibilidade que ela possui. Cidades acessíveis são aquelas que proporcionam condições de moradia, transporte, educação, saúde, lazer, esporte, trabalho, cultura, mobilidade, segurança a quem quer que seja, independente de a pessoa ter algum comprometimento motor, visual, auditivo, sensorial ou múltiplas deficiências. Ou seja, a acessibilidade universal pressupõe a garantia de acesso de TODOS os cidadãos, sem qualquer distinção, a políticas públicas calcadas nos princípios e garantias fundamentais do ser humano.

O Grande Engarrafamento: profecias, verdades e demônios

 

Em uma crônica intitulada Engarrafamento, escrita no início da década de 80, Luiz Fernando Veríssimo anuncia em tom apocalíptico o grande engarrafamento. O excesso de automóveis nas ruas atingiria tão alto patamar que as pessoas seriam forçadas a abandonarem seus veículos devido a impossibilidade de movê-los. Em seguida, uma população marginal habitaria os automóveis, alugando para outros os espaços ociosos.
Através de sua pena, o escritor gaúcho fez uma alerta à sociedade sobre a voracidade com que os automóveis ocupavam as vias das grandes cidades. Mas muita gente prefere ignorar o aviso. Em Goiânia, por exemplo, existe uma ditadura dos carros nas vias públicas. No trânsito, estes tem prioridade sobre os outros meios de transporte.